3 de junho de 2012

Destruída a farsa de Gilmar

Quem lê aqui sabe muito bem que estou longe, bem longe de ser admirador de Lula. Porém, também estou há anos-luz de ser desonesto, ao contrário dele. Portanto, tratei a denúncia feita por Gilmar com o comedimento adequado: disse que, se está disposto a acusar Lula, tem, claro, que provar. Ele deve saber disso, afinal, é membro do STF.

O fato, porém, é que ele foi desmentido. Por quem? Por si. Veja daqui.


Na análise de um total de 3 minutos de trechos da entrevista, foram detectadas 11 ocorrências de “alto risco”, cinco de “provável risco” e duas de “baixo risco”.
“Alto risco é uma maneira de dizer que a pessoa está mentindo”, afirma o perito responsável pela análise, Mauro Nadvorny.
Nadvorny é diretor-presidente da empresa Truster Brasil, que produz a tecnologia que detecta sinais de tensão, estresse, medo, embaraço e excitação em arquivos de voz. De acordo com Nadvorny, esses fatores permitem situar declarações em uma escala de veracidade.
O laudo indicou “alto risco” de fraude nos trechos em que o magistrado diz que o mensalão “entrou na pauta das conversas”, que “o presidente tocou várias vezes na questão da CPMI” e no trecho em que Mendes diz ter “nenhuma relação, a não ser relação de conhecimento e de trabalho funcional com o senador Demóstenes”.
Veja a seguir alguns dos trechos da entrevista de Gilmar Mendes considerados “fraudulentos e suspeitos” pelo laudo de Nadvorny, acompanhados da conclusão do perito:

Gilmar Mendes: “Este assunto entrou na pauta das conversas”
Laudo: De acordo com a análise do software, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que o assunto (mensalão) entrou na pauta das conversas.
Gilmar Mendes: “E aí o presidente disse da importância do julgamento do mensalão, que se possível não se julgasse esse ano porque não haveria objetividade”
Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes está sendo verdadeiro quando afirma que o presidente Lula teria dito que não haveria objetividade. Não é possível concluir que ele tenha dito algo sobre a importância do julgamento não acontecer este ano.
Gilmar Mendes: “O presidente tocou várias vezes na questão da CPMI, desenvolvimento da CPMI, o domínio que o governo tinha sobre a CPMI”
Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que o presidente Lula tocou no assunto da CPMI.
Gilmar Mendes: “Então eu disse a ele: ‘com toda franqueza, presidente, eu vou lhe dizer uma coisa, parece que o senhor está com alguma informação ‘confusa’”
Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes está sendo verdadeiro quando afirma que disse ao presidente Lula que ele estava com uma informação “confusa”.
Gilmar Mendes: “ ‘O senhor não está devidamente informado, eu não tenho nenhuma relação, a não ser relação de conhecimento e de trabalho funcional com o senador Demóstenes”
Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que não tem nenhuma relação com a matéria da CPMI.
Gilmar Mendes: “Aí então eu esclareci a viagem de Berlim, (…) me encontrara com o senador em Praga porque isso foi agendado previamente, ele tinha também uma viagem para Praga, então nos deslocamos até Berlim. Eu vou um pouco a Berlim, como o senhor vai a São Bernardo
Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes não está sendo verdadeiro quando afirma que se encontrou com o senador (Demóstenes) em Praga para ir a Berlim (para visitar sua filha) numa viagem previamente agendada.
Gilmar Mendes: “Claro que houve a conversa sobre o Mensalão, o Jobim sabe disso”
Laudo: De acordo com a análise do programa, o ministro Gilmar Mendes muito provavelmente não está sendo verdadeiro quando afirma que a conversa existiu e que Jobim sabe disso.
A análise de Nadvorny foi feita voluntariamente, com o software de análise de voz da Truster Brasil, o mesmo usado pelos serviços de inteligência das polícias do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal.
“A tecnologia faz uma varredura em todo o arquivo de voz para estabelecer uma linha básica e aponta os techos em que a fala foge dessa linha, o que indica, em diferentes graus, que a pessoa não está sendo verdadeira”, diz Nadvorny.
Segundo ele, nos trechos em que o programa aponta “alto risco”, há praticamente certeza de que a pessoa está mentindo. “Isso porque a natureza humana não é construída para mentir. Quando a pessoa mente, ela está sob estresse”, afirma.
...

2 de junho de 2012

Show de horrores

Acabei de ver a entrevista de Lula e Haddad dada a Ratinho. E posso afirmar: se a Justiça Eleitoral não punir tanto o candidato a prefeito quanto o programa de TV. não há Justiça Eleitoral. Trata-se de de promover, antes do prazo estabelecido, uma candidatura numa concessão pública.

Eu tenho meu ponto de vista a respeito de campanhas eleitorais. Eu sou liberal, ou seja, defendo que, de fato, não deveria haver tal restrição, baseado no princípio da liberdade de imprensa: o programa chama quem quer, faz propaganda, pede voto. Da mesma forma, não deveria haver restrições desse tipo na internet nem em jornais e revistas.

O fato, porém, é que isso é uma proposta, algo que defendo, mas que não se concretizou. Sendo assim, o que resta? O legalismo. Por mais que não concorde que seja, na essência, errado fazer campanha nesse período, considero que as leis estão aí para serem cumpridas. Que mudem, sim, mas até lá, as atuais devem ser obedecidas.

E isso não foi feito pelo PT. Mais uma vez passou por cima da lei para atingir seus objetivos. Nada surpreendente vindo de Lula, Haddad ou Ratinho, claro. A questão é: a Justiça vai ficar de braços cruzados? Por que se ficar, aí entramos no vale-tudo.

30 de maio de 2012

Perillo quis ir na CPI, Cabral não

Eu não gosto de ficar me gabando, mas desde o início denunciei a falácia no que dizia respeito a Marconi Perillo. Já disse: não é que ele seja inocente, mas o fato é que ele não terá problema nenhum em ser convocado e sabe disso. A estatosfera, porém, colocou a ele e a Demóstenes importância que não têm, apenas para dizer que não podem ser equiparados a Cabral, Agnelo etc e assim livrarem a cara dos aliados, enquanto "desmascaram" a oposição. No fim, se verá que a grande máscara do esquema está mesmo envolvendo o próprio governo, coisa que a estatosfera não diz. Afinal, Cabal se livrou da CPI, quando podia usá-la, já que é TÃO inocente,a seu favor. No mais, o próprio governo federal tem explicações a dar, na pessoa da presidente, pois, mesmo depois de várias denúncias anteriores mesmo a essa operação da PF, continuou contribuindo com a Delta...

E aí, quando a "presidenta" será convocada?

Já Demóstenes Torres, no início, foi tratado também como "destruição da oposição". Porém, o Dem deu dois tapas na cara do PT. Expulsou-o, como fez com Arruda, enquanto o nobre e perseguido das elites PT refilia Delúbio Soares... Pois é.

PS - Para quem está meio por fora, esclarecimento: Perillo mesmo quis ir à CPI, ele próprio afirmou. Quanto a sua pouca importância no caso e poucos danos que causará ao PSDB, disse a respeito aqui, aqui, entre outras postagens.

Iriny está no páreo - partidos brigam pelo PMDB

Depois da saída de Hartung, os principais beneficiários, como se sabe, são os candidatos viáveis: Iriny, Luiz Paulo e Luciano Rezende. No caso da petista, especificamente, a saída de Hartung não lhe deu só mais chances, mas fez com que o PT desistisse de apoiar o PMDB e entrasse de cabeça em sua campanha. Ela está no páreo, e representará a atual gestão.

Por hora, o nome do PMDB na capital é Lelo Coimbra, mas ainda não está confirmado e, dado que tem poucos pontos nas pesquisas, seu partido já está sendo cortejado pelos demais candidatos. Resta saber se Lelo conseguirá convencer o partido a lhe fazer candidato. Sem Hartung, a tendência do PMDB é mais de se coligar. Afinal, essa é a natureza do partido.

Já o PDT, PSB, PR e PSOL, com candidatos próprios, respectivamente Manato, Serjão, José Esmeraldo e Gustavo, dificilmente atrairão o PMDB, pois suas chances são pequenas. De qualquer forma, são candidaturas que já estavam confirmadas, com ou sem Hartung.

PESQUISAS E RENOVAÇÃO

Não foi feita nenhuma pesquisa pública recente sobre Vitória, mas felizmente, na última, num dos cenários tiraram Hartung, que, sendo candidato, tinha 40% das intenções de voto. Sem ele, quem passa a liderar é Luiz Paulo, seguido por Luciano Rezende e Iriny. A deputada é, além de mal colocada nas pesquisas, líder de rejeição, talvez pelo desgaste do PT na prefeitura. Portanto, terá que suar a camisa, mas terá apoio federal e municipal, o que pode tirá-la de onde está.

Luiz Paulo lidera pelo mesmo motivo que Max em Vila Velha. São ex-prefeitos, claro, nomes mais lembráveis. O problema é que, em cidades maiores, o mais comum é rejeitar ex-prefeitos e apostar no novo, ainda que represente gestões passadas. No caso do PSDB, seria mais inteligente apostar, por exemplo, em César Colnago. Ele representaria a gestão de Luiz Paulo, sem porém, sê-lo, em outras palavras, seria um novo prefeito possível, e não a volta de alguém que já o foi.

O mesmo pode-se dizer de Max Filho em Vila Velha. De longe o melhor prefeito que a cidade já teve e, de longe, o melhor candidato da atual disputa. Porém, por já ter sido prefeito, pode sofrer esse mesmo desgaste, principalmente com adversários fortes, como Rodney Miranda, Dr. Hércules e o próprio Neucimar Fraga, que apesar da péssima gestão, tem a máquina municipal a seu favor.

Espero que isso não seja o futuro...

Bom, vamos aos dois lados da moeda.

É impressionante como esse negócio de "tiutasso" tem força política, hein? As discussões no Congresso, projetos de reformas essenciais etc não são nada.

O que importa mesmo é quem está no topo do Twitter.

Pessoalmente, acho o Twitter um saco. Tenho perfil apenas para divulgar o blog, e, ainda assim, faço pouco. Mas esse pessoal, porém, leva o negócio a sério, como questão de Estado.

Espero que um dia não venha a ser...

Observe o desespero desse pessoal quanto a isso. Aqui e aqui.

O Latifúndio

O LATIFÚNDIO

Novo Reality Show - na verdade talvez a primeira coisa real - da TV Senado, inspirado em A Fazenda da Record. De olho na concorrência e querendo subir no Ibope - já que ninguém se interessa por política - a nobre TV Senado decidiu dar esse importante passo para conseguir audiência - estou falando de telespectadores, a outra, bem, deixemos para lá. 

O Reality é muito simples. Os senadores terão que ir às fazendas que consideram em perfeito estado humanitário e viver e trabalhar nelas. Escravidão? Bobagem...

Vamos à lista dos participantes:

Kátia Abreu - ela quis que o Reality fosse feito no sudeste, porque, afinal, "o que é degradante para o sul pode não ser degradante para o resto do País." Enfim, quis se safar do Reality, mas acabou sendo obrigada pelo Brito Jr a participar da edição nordestina, mesmo. Ordenha vacas como ninguém, mas infelizmente vem causando grande estrago no cenário do programa...

Demóstenes Torres - Ele não gosta muito de trabalhar na roça, então prefere ficar no telefone conversando com amigos. O que mais gosta são dos bichos, que se afeiçoaram muito a ele. 

Magno Malta - ficou 26 horas seguidas chupando cana, até que viu que isso ia contra seus preceitos cristãos, e começou a cortá-las. 

Marta Suplicy - tem rixas com Magno por causa dessa história de homossexualismo, por isso, como líder da casa, mandou-o para o paredão no 1 dia. Porém, trabalhar como escrava ela não faz de jeito nenhum! Ia manchar suas roupas de Paris.Solicitações
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Marcelo Crivella - além de ficar cobrando dízimos dos outros participantes em troca de imunidade no céu, também gosta de pescar. Conseguiu pescar uma piranha logo no primeiro dia. Como bom cristão, jogou-a no mar de volta e disse: "quem não tiver pecado, que atire o primeiro anzol". Todo mundo jogou vários anzóis, pois é, levaram a sério essa história de pecado. Solicitações
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José Sarney - acabou liderando o grupo, mas consegue fugir das câmeras e ninguém consegue saber o que faz. Estão falando que é atos secretos. De qualquer forma, arranjou uma égua para montar. Batizou-a carinhosamente de Dilma. Solicitações
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Collor - não apareceu muito no programa porque estava sempre no banheiro, lendo edições da revista Veja e gritando muito. Os outros preferiram não o interromper. Ao sair do banheiro, disse que a revista tem que sair de circulação, pois é péssima para limpar a bunda. Solicitações
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Paim - decidiu que, ali, poderia fazer a reforma agrária e eliminar o trabalho escravo. Discursou durante horas sobre isso isso, chorou, mas todos estavam tomando café na cozinha nesse momentoSolicitações
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Cristovam Buarque - na mesma cozinha, indignou-se com a falta de modos de seus colegas, e sempre falava para comerem com educação.Roberto Requião foi o que mais chamava atenção, não tinha nenhuma compostura na mesa, arrotava um monte de bobagens. Cristovam então mandou-o então para o castigo: escrever a história do seu governo. Tirou nota zero. Solicitações
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Ana Rita - os demais ficam a chamando de penetra, ou, o que é pior, suplente. Não gostou nenhum pouco da paisagem local. As arvores tinham nomes de militares, então ela resolveu rebatizá-las com nomes dos sete anões. Solicitações
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Jarbas - trabalhou como como escravo por uns minutos e viu que não era uma coisa assim tão "normal" como ele pensava antes de fazer trabalhos manuais.Solicitações
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Por fim, o programa foi um fracasso. Os senadores não conseguiram ser trabalhadores escravos e voltaram a exercer seus mandatos.

29 de maio de 2012

Vitória: Hartung sai da disputa

Dizendo que "trata-se de uma decisão madura e coerente com minha trajetória política", o ex-governador Paulo Hartung sai da disputa pela prefeitura de Vitória. Ele fala em questões familiares, entre outras coisas, mas sua desistência pode ser bem explicada aqui.

De fato, Hatung queria ser candidato único, unindo PMDB, PT, PSDB e PPS em torno de sua candidatura. Na prática, porém, PSDB e PPS não se acovardaram e lançaram seus candidatos, Luiz Paulo e Luciano Rezende. Já Iriny Lopes quer se candidatar de qualquer forma, com ou sem Hartung. Uma das principais adversidades da deputada, porém, era o próprio Hartung, visto que forças do PT, como o atual prefeito João Coser, queriam que o partido se aliasse ao ex-governador.

Sem ele na disputa, Iriny ganha força, apesar de ter que enfrentar oposição do partido ainda, mas bem menor sem Hartung no páreo. No lugar dele, deve ser candidato o deputado Lelo Coimbra, do PMDB também, que foi vice-governador no primeiro mandato de Hartung. Lelo já sonhava em ser candidato em 2004, mas o governador preferiu não colocar um candidato oficial na disputa, visto que já havia três: João Coser (PT), César Colnago (PSDB) e Nilton Baiano (PP).

De qualquer forma, sem Hartung, ficamos assim:

Luciano Rezende (PPS)
Gustavo (PSOL)
Iriny Lopes (PT)
Luiz Paulo (PSDB)
Manato (PDT)
José Esmeraldo (PR)
Serjão (PSB)
Lelo (PMDB)

Como já disse, defendo também outros candidatos, como Max da Mata (PSD) e Nilton Baiano (PP). Não que eu goste deles, mas gosto de eleições com disputa de verdade, ao contrário de Hartung.

27 de maio de 2012

Aécio: "chega de PT"

É interessante notar algumas coisas. Quando Jorge Bornhausen diz que "livraremos dessa raça (PT) por 30 anos" é chamado de racista, fascista, nazista, e todas as adjetivações. O mesmo vale para Aécio Neves, seguramente. Ele, que nem era muito maltratado pelos petistas, por ser inimigo de Serra, agora, pela declaração, é posto como... enfim, as adjetivações dadas a  Bornhausen.

Só intriga que o PT se sinta assim quando, DIARIAMENTE, nos "seus" veículos de comunicação, pregam o fim da oposição. O próprio Lula disse que o "DEM deve ser extirpado". No mais, o próprio histórico do PT, de autoritarismo, seja no governo ou na oposição, mostra que seu comportamento esteve longe da diplomacia democrática. Basta lembrar que enquanto chama essa porcaria de oposição de "golpista", quando era oposição fazia protestos gritando "Fora FHC".

O mesmo para a imprensa não-petista. Só por não atender à cartilha do partido é nomeada de PIG - Partido da Imprensa Golpista. Diga-me: é democrático dizer que a imprensa cumprir seu papel quer dar um golpe de Estado, algo ilegal? Não. Quando dizem isso, estão claramente pondo a imprensa independente na clandestinidade. Ou seja, se não atendem o que o partido quer, não é legítima.

No mais, que golpe seria esse? Cassação de Lula por fazer caixa dois? Mas isso seria legítimo, aliás seria o correto. Trata-se de um crime grave, comprovado e assumido pelo próprio Lula.

Mas, para eles, seria golpe.

Dá para ver que não entendem nada de democracia.

Gilmar e Lula - parte 2



Como eu disse anteriormente, cabe ao acusador provar, no caso, Gilmar Mendes.

Feitas essas considerações, vamos lembrar de um caso
interessante envolvendo Gilmar e a Veja, acusadores de Lula.

Havia uma denúncia de capa na Veja: grampos ilegais, e o suspeito era o governo, na época, sob o comando de Lula. Não houve nenhuma aparição do áudio, mas para a Veja foi o suficiente transcrever uma conversa entre Gilmar e Demóstenes Torres, que, claro, confirmaram terem conversado o que a revista colocou em suas páginas - se bem que nem sei se a palavra certa é "confirmaram", já que o mais provável é que tenham sido, digamos, informados exatamente que conversa seria transcrita antes da reportagem ir às bancas. Mas sigamos...

Hoje, Demóstenes, ironicamente, foi destruído por grampos,
que revelaram seus maus feitos com Carlinhos Cachoeira.

E, ironicamente, Gilmar precisa de alguma coisa para provar o que diz sobre
Lula - que foi tratado como verdade pela Veja. Quem sabe... um áudio?

Pois é... esse mundo dá voltas. E para no mesmo lugar.

26 de maio de 2012

Gilmar e Lula

Acredito que, dado o histórico de Lula - caixa dois em 2002 para sua campanha, mensalão, dossiê, uso da máquina para favorecer o próprio filho etc  - é bem possível, sim, que o ex-presidente esteja por aí fazendo lobby a favor de adiar o julgamento do mensalão com ministros do STF.

Sim, muito possível.

Mas sigo o preceito básico: cabe ao acusador provar.

No caso, Gilmar Mendes.

Missão "possível" - e necessária

Bom, outro texto do Ruy Fabiano, que tentou, no anterior publicado aqui, safar Veja. Pelo visto ele reviu seus conceitos. Vai agora seu novo texto, integral. Visto no Blog do Noblat:

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A missão de Thomaz Bastos

Um dos fatos mais intrigantes em torno da CPI do Cachoeira é o de estar na sua defesa um personagem da estatura política do advogado Márcio Thomaz Bastos.
Não é um advogado qualquer, nem pode ser visto como tal. Ex-ministro da Justiça de Lula e um de seus conselheiros políticos mais notórios, assume a defesa de alguém cuja CPI foi idealizada pelo próprio Lula. É intrigante mesmo.
Lula figura, pois, na defesa – ao ter seu ex-ministro e conselheiro aconselhando o contraventor – e no ataque, ao idealizar a CPI. Sabe-se que Cachoeira é um homem-bomba, como o foi Roberto Jefferson, no episódio do Mensalão.
Jefferson integrava a base parlamentar do governo como um de seus mais fiéis defensores. O Mensalão não o incomodava. Ao contrário, foi confessadamente beneficiário de RS 4 milhões, doados pelo esquema do PT ao seu partido, o PTB, que, segundo se noticiou na época, não chegou a ver a cor do dinheiro.
Eis, porém, que, numa guerra de partilha, Jefferson começou a ter seus aliados expostos em escândalos, pela imprensa. Atribuiu o vazamento deliberado a José Dirceu e, perdido por um, perdido por mil, decidiu, como um Sansão profano, derrubar as colunas do templo. Morreria, mas levaria todos com ele. E assim foi.
Poupou, inicialmente, apenas Lula. Mas só inicialmente. Quem se der ao trabalho de ler o discurso com que encaminhou a votação de sua cassação – e depois o que escreveu no livro “Nervos de Aço” -, verá que tentou incluir o então presidente no rol do Mensalão, mas já sem força política para fazê-lo.
O exemplo de Jefferson traumatizou o PT. Pelo que já se sabe de Cachoeira, é um homem-bomba das proporções de Jefferson.
Ou ainda pior, já que aquele era um parlamentar, detentor de um mandato popular e não havia, em princípio, desdouro algum em tê-lo como aliado.
Já Cachoeira é um velho contraventor, neste momento preso, à espera de conclusão do inquérito e julgamento. Não é tão fácil explicar a intimidade de que gozava no meio político, suas relações íntimas com uma empresa, a Delta, uma das maiores fornecedoras do governo federal –  da qual se suspeita seja um sócio oculto. Nada menos.
Qual a missão de Márcio Thomaz, conselheiro de Lula, em tal circunstância? Pelo que se viu na CPI, cabe-lhe guardar o silêncio do cliente, evitar que acione o gatilho da bomba-relógio. “Ele pode não falar nunca”, garantiu.
A CPI foi um equívoco de Lula. Um tiro no pé. Supunha que, com ela, feriria de morte a oposição, acertando simultaneamente dois pesos-pesados, o senador Demóstenes Torres, então no DEM, e o seu desafeto pessoal, o governador tucano Marcone Perillo, ambos de Goiás, terra de Cachoeira. De quebra, provocaria uma cortina de fumaça no Mensalão.
Ocorre que Cachoeira não atua apenas em Goiás. Basta lembrar que seu advento na política nacional – sua primeira exposição pública - deu-se no Rio de Janeiro, quando negociou com Waldomiro Diniz, assessor de José Dirceu, contribuição para a campanha da senadora Benedita da Silva, do PT.
A divulgação do vídeo, em que Waldomiro pedia a propina de 1% sobre a contribuição, foi o primeiro dos escândalos do governo Lula, um mês após a posse, em 2003.
Waldomiro teve que ser demitido, mas o episódio resvalou em José Dirceu, a quem assessorava desde a Câmara dos Deputados.
Cachoeira, pois, fez seu début no PT. Só por aí já seria desaconselhável levá-lo a um tribunal político como a CPI.
Aí volta a fazer sentido a figura de Thomaz Bastos. Ele teria a missão de tornar seletivas as acusações de Cachoeira, direcionando-as aos alvos escolhidos: Demóstenes e Perillo.
Só que a sequência de denúncias, amplamente publicadas na imprensa, expôs pesos-pesados do governismo, envolvidos na mesma malha: os governadores Sérgio Cabral (RJ) e Agnelo Queiroz (DF) e o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta.
Não é mais possível separar o joio do joio, numa plantação em que não há trigo. Resta apenas o silêncio e o esvaziamento da CPI, promovido pela maioria governista.
Transformar a CPI do Cachoeira numa cascata. É o que está em pauta. 

Ruy Fabiano é jornalista

Engarrafamento de ideias

                                                                     Charge de Lute

Na contramão - com trocadilho - do bom senso, governo decidiu diminuir impostos sobre automóveis particulares! Devem conseguir bom dividendo eleitoral. Vejam o que escrevi a respeito aqui.

SP: Netinho deve sair da disputa

Haddad tem acordo praticamente fechado com o PSB - que não não tinha pré-candidato - e o PCdoB, que tinha como candidato Netinho de Paula. Com isso, o cantor-apresentador-lutador deve sair da disputa. Resta saber, agora, se ele aceitará ser o vice, coisa que ele negou anteriormente.

De todo modo, não faria muita diferença no resultado final das eleições. Netinho tinha 8% de intenções de voto, mas era o líder em rejeição, com 40%. Seu eleitorado, majoritariamente esquerdista e proveniente da periferia, durante a campanha iria abandoná-lo e migrar para Haddad.

O teatro do PT

Do blog do Noblat:

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PAC: Só uma de cada cinco obras ficou pronta na gestão Lula
Danilo Fariello. O Globo
O Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que só uma a cada cinco obras da primeira versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ficou pronta até o fim do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O programa, que vigorou de 2007 a 2010, terminou aquele ano com 13.653 ações, das quais 2.947 foram concluídas, em valor equivalente a R$ 192 bilhões ou 13,73% do valor final do PAC 1. Na virada de 2010 para 2011, em meio à campanha e posse da presidente Dilma Rousseff, o governo descumpriu a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e uma determinação do TCU ao não divulgar o balanço final do PAC 1. Em 2011, o primeiro balanço de Dilma já foi apresentado como do PAC 2, carregando obras do PAC 1. Segundo relatório dos técnicos do TCU, a decisão unilateral do governo provocou o descumprimento de acórdão do tribunal, que determinava a apresentação das informações a cada quatro meses. 
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Voltei. Bom, de fato não estou aqui cobrando que todas estivessem prontas, ou seja, 100% do PAC. O que, durante toda essa farsa falei é que, de fato, o PAC é apenas uma marca, uma propaganda, para obras naturais do governo federal. Trata-se de uma desonestidade política do governo Lula que foi muito comum em diversas áreas: transforma o nada, ou o comum, num espetáculo, com propagandas, comícios, fazendo assim a plateia acreditar estar havendo algo revolucionário, quando na prática temos só uma sigla bonitinha com uma logomarca idem. 

Por fim, deu certo, não é? A "Mãe do PAC" foi eleita presidente, e o circo continua.

25 de maio de 2012

Direto do século XIX...

Visto no blog da Maria Frô:

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PSD, PMDB, DEM e PP são os partidos com mais opositores à PEC
Levantamento da Repórter Brasil aponta que 23 dos 29 que se opuseram à PEC do Trabalho Escravo pertencem a quatro partidos. Todos eles desrespeitaram a orientação das suas bancadas
Brasília – Quatro partidos concentram 23 dos 29 deputados federais que votaram contra a Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, a PEC do Trabalho Escravo, na última quarta-feira, 22. Contrariando a orientação de seus líderes, que defenderam publicamente a aprovação, oito integrantes do PSD, sete do PMDB, quatro do DEM e quatro do PP se declararam publicamente contra a medida que determina o confisco de propriedades em que for flagrado trabalho escravo e seu encaminhamento para reforma agrária ou uso social. Após praticamente oito anos parada, a proposta obteve nesta semana 360 votos, bem mais dos que os 308 necessários para sua aprovação.
As informações são parte de um levantamento feito pela ONG Repórter Brasil. A proposta agora será apreciada no Senado Federal, onde deve ser discutida também sua regulamentação. O governo se comprometeu a criar uma comissão mista formada por cinco senadores e cinco deputados para discutir o trâmite necessário para a expropriação e confisco. Os parlamentares que têm se oposto ao combate à escravidão insistem que é necessária a revisão do Artigo 149 do Código Penal, que define e detalhe este crime. Confira abaixo os que se declararam abertamente contrários à PEC e, no final deste texto, a relação completa dos parlamentares, incluindo os que estavam presentes, mas se abstiveram de votar e os que não compareceram ao plenário.

Veja a lista completa aqui

Direito petista e a inversão dos poderes

Márcio Tomás Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula, é advogado do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Os petistas, tão atraídos por teorias de conspiração, ficaram calados. Natural. Durante seu mandato como ministro da Justiça, esse senhor tratou de defender os criminosos aliados de Lula.

Antes de ser ministro, Márcio fora advogado dos playboys que mataram um índio pataxó em Brasília a fago, caso que teve repercussão nacional. Tudo bem, todos, desde Cachoeira até esse palayboys - vale lembrar, todos soltos (imagine se fossem índios queimando playboys? Estariam presos até hoje) têm direito a advogado. O que NÃO intriga é que esse mesmo homem tenha sido MINISTRO DA JUSTIÇA durante o mandato de Lula. O PT é mesmo uma graça, não? Imaginem, por exemplo, se o advogado do Carlinhos fosse um tucano. Aí as teorias da conspiração estariam todas de pé.

Mas é interessante Cachoeira ter ficado calado, suponho, sob as as orientações de Bastos. Quem sabe seu silêncio não poupou muitos petistas? Se é pra conspirar...

CPI DA VEJA E DO PERILLO

Outra coisa a respeito dessa CPI é a falta de honestidade ou inteligência da claque petista. Talvez dos dois. Eles acreditam numa teoria da conspiração segundo a qual os parlamentares da CPI querem equiparar Perillo e outros governadores que - até onde se sabe, é bom lembrar - têm menos relações com o bicheiro. Bom, essa na verdade não é bem uma teoria da conspiração. De fato querem equiparar, mas, a que custo? Vejamos o perfil do grande Marconi. Trata-se de uma figura que já tinha antes denúncias de diversas naturezas. No seu estado, é imbatível. Nacionalmente, porém, não é nada. Seu estado não rende muitos votos a um presidente tucano, por exemplo, e Goiás não é um estado que gera políticos importantes no âmbito nacional. Ou seja, Marconi, ainda que esteja enrolado até o pescoço com Cachoeira, é uma figura menor.

O mesmo pode-se dizer de Demóstenes, com o diferencial de que era um defensor da ética. No fim, o próprio partido o abandonou, ou seja, à oposição pouco interessa seu destino.

E tem a Veja. Sim, nesse caso temos elementos importantes a se tratar na CPI, mas volto à questão: os parlamentares das duas casas são majoritariamente governistas. Se há uma blindagem a favor da Veja, e há, é por conta deles. E não se trata, como dizem certas pessoas, da "ala tucana do PMDB". O próprio PT não se mostrou, até agora, com firmeza de propósito contra a Veja.

Dado tudo isso, resta aos blogueiros estatais, pagos ou não, virem com um papo estranho, segundo o qual tudo está sendo orquestrado pela mídia.Nossa. Eu pensei que a CPI estivesse composta por parlamentares, na sua maioria governistas, não por jornalistas de oposição...

Trata-se de mais uma falácia, uma teoria idiota para poder não dizer o que realmente acontece: os parlamentares não estão cumprindo seu papel. Falar que é culpa da imprensa significa dizer que os parlamentares a temem, o que, de fato, dobra a culpa deles. Quem teme a imprensa é porque tem algo a esconder. E não adianta culpá-la por conta disso. Quem tem poder de convocar Perillo, Policarpo, Cachoeira, Cabral e Agnelo, entre outros, são os membros da CPI.

Mas para esses "jornalistas" é mais cômodo culpar a mídia do que a CPI, afinal, ela é composta majoritariamente por governistas. Como eu disse: burrice, desonestidade, ou as duas coisas.

24 de maio de 2012

Dia do orgulho reacionário

                                                                Por Laerte

Sempre vítimas dos preconceitos dos "progressistas", coitados.

Visto no blog Maria Frô

Que vá de Goías e encontre o resto do Brasil

Tem gente que fala que investigar governistas, a Delta etc. é só manobra para desviar o foco contra Perillo e Veja. Bom, eu discordo. No caso de Perillo, bem, ele já colecionava denúncias de corrupção antes desse caso. Foi eleito governador em 1998, reeleito em 2002, renunciou o mandato e foi eleito senador em 2006, apoiando o seu vice para reeleição - que, aliás, ganhou. Voltou ao governo estadual em 2010. Ou seja, a aprovação do governador em seu estado é incontestável, mesmo diante de denúncias anteriores - e bem graves, vão pesquisar. Bom. Então, de fato, Perillo não deverá sofrer nada, porque não é mais senador, e não poderá ser cassado, ao contrário de Demóstenes. E o PSDB pouco se importa com eventuais danos a ele, porque os tucanos já demonstraram que não se importam com a opinião pública não desfiliando o governador, ao contrário do que fez o Dem, com Arruda e agora com Demóstenes.

No caso da Veja, sim, há um temor, mas onde estão os parlamentares fiéis à Dilma, a quem a revista faz franca oposição? A eles que se deve cobrar uma posição mais convicta, e não é bem o que estamos vendo. Bom, de qualquer forma, pelos grampos obtidos até aqui, sim, Policarpo Jr. e até Roberto Civita devem mesmo ir a CPI. E isso não é afronta à tão corrompida expressão "liberdade de expressão", porque a Veja, com isso, não vai ser proibida de publicar nada.

Agora, desviar o foco? De quê? Disso? Bom, se Cachoeira e Delta têm relações tão, digamos, amigáveis, e a CPI tem, como objetivo inicial ou proncipal o bicheiro, então, a maioria dos governadores e até a presidente, que têm contratos com a  Delta, devem ir à CPI.

Não é desviar foco, mais sim o abranger.

Bom, quem é contra essa ideia está querendo blindar alguém.

Porque eu não vejo nada de errado nela.

Liberdade não deve estar aos sabores das "culturas"

Bom, eu já cheguei a esse assunto numa outra ocasião, mas se referia ao socialismo a às imposições governamentais, não culturais. Agora, porém, vou falar sobre questões culturais: o ocidente, de fato, é o berço das liberdades individuais. Por isso mesmo, é o principal alvo de críticas quando esse mesmo ocidente as nega, como às mulheres, aos negros, aos gays etc.

Mas e quando tratamos de uma cultura que não foi afetada pela Revolução Francesa? Digamos um país islâmico, governado teocraticamente. A cultura do povo, que não foi imposta, mas sim é tradição popular, deve ser combatida? - não digo combatida no sentido de invadir os países, entenda-se, digo combatida no sentido ideológico. É claro que sim!

O respeito ao indivíduo, com suas características, é algo a ser defendido e preservado. Nos lugares onde isso não acontece, deve haver combate, e não o papo de que "temos que respeitar sua cultura". Afinal, se é para respeitar culturas que oprimem indivíduos em razão do sexo, da sexualidade, da religião, por que combater tais opressões no ocidente? Sim, pois muitos que querem que outras culturas têm "direito" de suprimir direitos ao que aqui chamamos de minorias são defensores dessa mesma minoria contra a "opressão cristã", que, apesar de ser muito forte, é bem menor. Não porque a Igreja quis, mas porque perdeu espaço, tendo como resposta uma religião que tem como adeptos pessoas que não são radicias, excetuando minorias. Não importa, por exemplo, que o papa diga sobre camisinha, direitos dos gays e das mulheres. Os países ocidentais, majoritariamente cristãos, conquistaram ou estão no caminho de conquistar os direitos a essas minorias - aliás, lembremos que o próprio Obama se disse favorável ao casamento gay.

Enfim, se não quiserem considerar essa cultura nossa, de liberdade de expressão, de progresso no que diz respeito aos direitos das minorias - que tem, claro muito a desejar - como superior, sim, superior a uma cultura em que a opressão é regra, então estão no país errado. Porque o próprio direito de defender essa outra cultura  é típico do ocidente.

O mesmo vale, como eu já disse em outros posts. As pessoas usam da democracia em seus países para defender ditaduras de outros países. No caso, principalmente Cuba.

O contrário, como sabemos, não é possível.

23 de maio de 2012

PT e Veja: amor e ódio ou: Os iguais se atraem

PT x Imprensa
Por Ruy Fabiano, via Observatório da Imprensa

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Entre as mudanças que o PT estabeleceu na política brasileira contemporânea, nenhuma foi tão significativa quanto as que impôs ao conceito de CPI. Concebido como instrumento da minoria para investigar o governo, passou por diversas mutações.
A primeira, com o PT ainda na oposição, foi a de se ter transformado em espetáculo político e palanque eleitoral.
O PT, como se recorda, por qualquer razão – ou mesmo sem nenhuma –, propunha que se instalasse uma CPI. Lula chegou a declarar: “Quanto mais CPIs, melhor”.
E assim o partido firmou imagem de perseguidor de corruptos e defensor da moral pública.
Se não houvesse fato concreto – como exige a lei –, tratava-se de providenciá-lo.
Ficou célebre a parceria do partido com alguns procuradores da República, projetando a figura de um deles, Luiz Francisco de Souza, versão cabocla do inquisidor Torquemada, curiosamente ausente desde que o PT chegou ao poder.
Objetivo real
A parceria era simples – e descarada: um jornalista aliado registrava algum rumor, envolvendo alguma figura do governo. Não era necessário nem mesmo um vago indício; o rumor servia.
Mediante aquele registro, o procurador abria sindicância, realimentando o noticiário, que, de rumor em rumor, ganhava voo próprio e foros de verdade.
O PT, então, entrava em cena, pedindo uma CPI. Foi assim com o ex-chefe da Casa Civil de FHC, Eduardo Jorge, que teve sua vida pessoal e profissional devassada, sem que o acusassem de um único fato concreto.
A lógica era esta: se não há fatos, pior para os fatos. Era preciso atingir Eduardo Jorge para, por meio dele, quem sabe, encontrar algo de desabonador contra o presidente.
Nesse caso específico, porém, não deu certo: a CPI não saiu e Luiz Francisco foi condenado na Justiça e indenizar sua vítima por danos morais.
No poder, o PT imporia outra mudança: a passeata contra a CPI, invertendo suas relações históricas com aquele instituto. Saía do “quanto mais CPI, melhor” para acusá-la de ser um instrumento para desestabilizar o governo.
Entidades como União Nacional dos Estudantes (UNE) e centrais sindicais, que, ao tempo do PT oposição, engrossavam o coro das CPIs, ocupavam ruas e praças públicas para protestar contra a instalação de uma CPI para investigar a Petrobras.
Não faltavam fatos concretos, denúncias de gente da própria estatal, com documentos e depoimentos. Mas a CPI, mesmo instalada, não deu em nada. O governo a aparelhou, impedindo convocações e investigações.
O mesmo se deu com uma CPI mista (Câmara e Senado) para investigar o MST. Não deu em nada, não obstante a multiplicidade de denúncias documentadas.
Convocações e investigações eram sustadas em nome da estabilidade do governo e das instituições, algo que, como se sabe, o PT sempre defendeu.
Eis que agora surge a CPI do Cachoeira, proposta não pela minoria, mas pela maioria (outra novidade). O objetivo formal é o de investigar as conexões do contraventor Carlos Cachoeira com parlamentares, partidos e outras autoridades do Estado.
Mas o objetivo real era o de sacrificar figuras da oposição, como o senador Demóstenes Torres e o governador goiano Marconi Perillo.
Parceira da imprensa
No meio do caminho, no entanto, havia algumas pedras. As conexões de Cachoeira atingem também o PT, governadores aliados e a empresa Delta, que cresceu à sua sombra, como a imprensa o tem mostrado com abundância.
Muda-se então o foco inicial, e a própria imprensa passa a ser o alvo da CPI.
A mesma imprensa, que o PT municiava em CPIs do passado, com quebras ilegais de sigilo dos acusados, agora é inimiga. Estabelece-se outra inovação: a tutela moral das fontes.
Ora, fonte de informação é prerrogativa constitucional do jornalista. Ele as escolhe e responde pela veracidade das informações. Não importa se as obteve no inferno; importa o que faz com elas, se são verdadeiras e não foram obtidas mediante alguma ilegalidade.
Não sendo assim, o que se configura é algo conhecido: a tentativa de restabelecer a censura a uma instituição sem a qual inexiste a democracia.
O PT julgava que, ao fornecer informações importantes, ao tempo em que era oposição, havia estabelecido uma parceria com a imprensa. Errou: a parceria da imprensa é com a notícia e com os leitores. Não há espaço para mais ninguém.
***
Voltei. Sim, ele está certo quanto à posição do PT. Só esqueceu de mencionar que as relações entre a trupe de Cachoeira e a Veja iam, aliás, devem continuar indo, muito além de jornalista-fonte. Como está comprovado nas próprias páginas da revista, tratava-se de encomenda de reportagens, notas ou até capas. Por fim, é como eu disse antes: a Veja, no mínimo, ignorou critérios jornalísticos quando, ao invés de denunciar uma quandrilha, usava-a como fonte. Contra esse argumento, a Veja não tem defesa.

Questão interessante


É interessante: o advogado de Cachoeira é Marcio Thomas Bastos.
O que diria a blogosfera petista se o advogado fosse um tucano?

De qualquer forma seria melhor chamar o Luiz Eduardo Greenhalgh.


Sabe como é, jogo do bicho é uma coisa muito popular... e Greenhalgh gosta desses casos.

Pergunta


E agora, petezada, o que acham?

Via blog do Noblat:

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O DEM elege seu alvo: Sérgio Cabral, por Ilimar Franco

Ilimar Franco, O Globo
O DEM elegeu seu alvo na CPI. Quer a cabeça do governador Sérgio Cabral (PMDB). Ontem, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) cantou em prosa e verso a Operação Saint Michel, que conteria dados reveladores da atuação da Delta no Rio. Após visita à 5 Vara Criminal de Brasília, onde estão os autos, Onyx anunciou na CPI que há provas de que Cláudio Abreu e Heraldo Puccini tinham autorização para atuar na Delta do Rio

Gostei da ideia

Texto do Kotscho:

CPI da Delta ou da Veja? Por que não as duas?
ok CPI da Delta ou CPI da Veja? Por que não as duas?
A revista Veja e seus aliados na oposição e na imprensa, abrigados no Instituto Millenium, o clube dos barões da imprensa montado para defender sua própria "liberdade de expressão", querem porque querem transformar a CPI do Cachoeira na CPI da Delta, a empreiteira que tem como seu maior cliente as obras do PAC do governo federal.
De outro lado, setores do PT e da imprensa, que não fazem parte do clube, querem fazer da CPI do Cachoeira a CPI da Veja para investigar as relações da revista com o contraventor goiano reveladas pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal.
Por que, então, não investigar, ao mesmo tempo, tanto a Delta de Fernando Cavendish como a Veja de Roberto Civita? Afinal, as empresas de ambos aparecem nas investigações sobre o capo do crime organizado, que fez parcerias nas mais variadas áreas, da polícia ao judiciário, das empreiteiras à imprensa, sempre com a ajuda do seu braço político, o quase ex-senador Demóstenes Torres.
Já está mais do que provado que, assim como os negócios de Cachoeira com a Delta não se limitavam ao centro-oeste, o alvo da CPI, as relações da equipe do contraventor com o diretor de Veja em Brasília, Policarpo Júnior, iam muito além do que habitualmente ocorre entre fonte e repórter.
Havia interesses comuns: o "empresário de jogos" usava a revista para plantar notícias contra quem pudesse prejudicar seus negócios, e o repórter se aproveitava do aparato de arapongas de Cachoeira para fazer suas matérias "investigativas" contra membros do governo petista, o eterno alvo de Civita.
Dos dois lados, bombeiros entraram logo em ação para limitar as investigações e blindar governadores, políticos em geral, empresários e jornalistas. "Você é nosso e nós somos teus" — como escreveu Vaccareza, o Cândido, para o governador Sérgio Cabral, aquele da turma do guardanapo — é a frase que melhor resume o momento político do País.
Apenas um mês depois de instalada, a CPI do Cachoeira começou a fazer água e os dois protagonistas do início da história, o "Doutor" e o "Professor", correm o risco de virar figurantes de um espetáculo mambembe que ameaça terminar antes mesmo de começar.
Como disse o marqueteiro João Santana, em encontro de comunicação do PT, semana passada, em Porto Alegre, "política é teatro, mas não ficção". Há controvérsias. Nem o mais alucinado ficcionista, é verdade, seria capaz de criar uma história tão mirabolante com personagens tão inverossímeis como estes que desfilam na chamada CPI do Cachoeira, dirigidos por advogados da melhor qualidade, que só trabalham para clientes inocentes, como já disse um deles.
Que diferença faz, a esta altura do campeonato, se Carlinhos Cachoeira vai ou não sair da cadeia para comparecer à CPI, na tarde desta terça-feira, se vai ou não abrir a boca? Depois de todos os crimes denunciados com provas no inquérito da Polícia Federal, tanto o "Professor", como seu amigo "Doutor", que ainda passeia como um fantasma pelo Congresso Nacional querem apenas ganhar tempo, aproveitando-se das brechas do Código Penal, das prerrogativas constitucionais e dos regimentos da Câmara e do Senado.
Para ir mais fundo e revelar como funcionam as engrenagens do poder no Brasil, os interesses que ligam personagens de diferentes setores da sociedade com o crime organizado e qual o papel de cada um deles nesta história, a CPI teria que acabar com todas as blindagens, convocar quem tiver que ser convocado para prestar depoimentos e encaminhar suas conclusões para as devidas providências do Poder Judiciário.
Quem ainda acredita nisso? Talvez esta desesperança esteja na raiz de um clima de mal estar generalizado, um sentimento difuso que se espalha em diferentes ambientes, no momento em que o STF se prepara para colocar em julgamento o processo do mensalão, a inflação e o dólar sobem, o PIB cai, a Comissão da Verdade já começa dividida e falando demais, os militares voltando ao noticiário, a crise sem fim da Grécia que ameaça levar o mundo junto — e ainda tem esta danada da gripe que não vai embora...
Se o caro leitor tiver uma notícia boa para espantar o baixo astral, por favor conte para a turma do Balaio. Estamos precisando.
Atchiiiim!

Que saia Fraga, mas olhe bem quem você colocará no lugar

Depois do estardalhaço em torno da suposta ligação do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, morto em março de 2003, a uma “pessoa importante” no Estado, a postura do então secretário de Segurança, o atual deputado estadual Rodney Miranda (DEM), mudou radicalmente ao sabor das conveniências de ocasião. Entre a queda do cargo após o escândalo do grampo na Rede Gazeta e o retorno ao governo, pouco mais de um ano depois, Rodney contou com a amizade do ex-governador Paulo Hartung (PMDB) para se manter blindado no Estado.


 Ex-comandante da PM revela detalhes da montagem da farsa do crime do juiz


Apontado pela personal trainer do juiz, Julia Eugênia Fontoura, como um dos possíveis interessados na morte de Alexandre Martins, o ex-governador trabalhou para evitar qualquer desgaste ao atual parlamentar. Além de promover o retorno após uma passagem mal-sucedida no início do governo, Hartung também movimentou seus aliados para afastar qualquer tipo de implicação do ex-secretário com a polêmica do grampo.Rodney caiu do cargo em dezembro de 2005 após o escândalo se tornar público e retornou em maio de 2007, mesma época em que a polêmica em torno das escutas ilegais voltou a ganhar força com a notícia do desaparecimento de autos da Comissão Parlamentar de Inquérito, batizada como CPI do Grampo, na Assembleia Legislativa. Apesar das manobras atribuídas ao ex-governador para acabar com os trabalhos, o que culminou até mesmo com o encerramento da CPI sem a leitura do relatório final, em janeiro de 2006, o sumiço dos autos da CPI trouxe novamente o caso à baila, porém, o caminho para colocar uma pedra sobre o assunto veio justamente por parceiros do ex-governador.Principal interessada no esclarecimento do desaparecimento dos autos da CPI, a deputada Aparecida Denadai (PDT), eleita no palanque de oposição, acabou contribuindo ao enviar, em setembro daquele ano, as investigações para o Ministério Público Estadual (MPES), instituição que compôs o arranjo institucional montada pelo governador para garantir a governabilidade.Com o engavetamento das investigações no Ministério Público, o caminho ficou livre para que o “fenômeno” Rodney Miranda saísse do gabinete do ex-governador para o restante do Estado. Graças à exposição das atividades na pasta, Rodney ganhou visibilidade com a realização de grandes operações policiais na Grande Vitória e nos municípios do interior, classificadas como “ações midiáticas” pelo ex-deputado federal Capitão Assumção (PSB).Mesmo sem cumprir a promessa de redução nos índices de violência, Rodney forjou a imagem de superdelegado, ao passo que ganhou notoriedade após o lançamento do livro “Espírito Santo”, em 2009. Na publicação, o demista constrói a narrativa do crime de mando do juiz Alexandre sem envolver a suspeição lançada por ele próprio sobre o possível envolvimento do ex-governador com o crime. Pelo contrário, Rodney se coloca ao lado de Hartung como protagonista no combate ao crime organizado no Estado. Dessa aliança surge o nome do demista como candidato a uma vaga na Assembleia. Em maio de 2010, Rodney deixou a pasta novamente, desta vez, para disputar as eleições. Explorando o prestígio junto ao então governador, Rodney se tornou o deputado mais bem votado da atual legislatura, com 65.049 votos.Em seu site, o deputado atribui a vitória ao “reconhecimento da população capixaba perante a sua atuação na Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp)”. No mesmo local, Rodney faz apenas uma menção rápida ao nome do ex-governador, onde cita o convite para assumir o desafio de ser secretário em um “Estado dominado pelo crime organizado e pela corrupção”. Pode até ser que esse quadro não tenha sido alterado desde então, como aponta a recente “Operação Lee Oswald”, que revelou a formação de um novo crime organizado nas prefeituras capixabas. Mesmo assim, os planos são audaciosos: o demista quer ser prefeito de Vila Velha, maior eleitorado do Estado. Para a nova empreitada, o ex-secretário já conta com um importante amigo e aliado, Paulo Hartung. 


Seculodiario

22 de maio de 2012

Por que Lula não foi cassado?

Lula entrou num tema que eu também gosto: a sua cassação, que não ocorreu, em 2005. Havia fatos concretos para cassá-lo? Sim. Fez caixa dois para se eleger, mesma razão por que Collor fora cassado em 1992. E Lula, por que não foi? Simples: apesar de acusar a imprensa e oposição de "golpistas", foi graças à inoperância  destas que Lula seguiu. No caso de Collor havia uma união entre PT e as esquerdas, a mídia tradicional e partidos como PMDB e PSDB, que entrariam no governo com a saída Collor, com Itamar e FHC. Em 2005, os fatos eram similares, mas a esquerda, é claro, não leva em consideração coisas como ética, liberdade ou até mesmo vidas como absolutas. Houve uma muralha de defesa e, diante dela, imprensa e oposição sucumbiram. Mas o certo, é claro, é um criminoso que fez caixa dois para se eleger, como Lula é, ter sido cassado.

Ao invés disso, ganha títulos de honra país afora...

Pergunta

Será que o pessoal que defende a Comissão da Verdade apoiaria luta armada contra o regime ditatorial de Cuba? Incluo-me no grupo e minha resposta é sim.

Mas sabe como é, tem gente que relativiza tudo, desde vida à liberdade.

Tudo de acordo com o menu partidário-ideológico.

O conjugue que gosta de apanhar

Via blog do Noblat:
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PCdoB apóia PT, que não apóia PCdoB, por Ilimar Franco

Ilimar Franco, O Globo
O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, caminha para receber o apoio do PCdoB. A comissão política nacional dos comunistas reuniu-se no final de semana, em São Paulo, e, após horas de debate, chegou à conclusão que o melhor era se alinhar ao projeto petista. Para implementar essa linha, será preciso ganhar para essa posição os diretórios regionais e municipais, que têm muitas arestas com os petistas, além de abdicar da candidatura do vereador Netinho.
O governador Tião Viana (PT-AC) e o senador Jorge Viana (PT-AC) decidiram não apoiar a líder nas pesquisas para a prefeitura de Rio Branco entre os nomes da Frente Popular, a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC). Eles vão tentar manter o poder na prefeitura apoiando um técnico que nunca disputou eleições: Marcus Médici, diretor do DER. O líder nas pesquisas é Tião Bocalon (PSDB). Os candidatos comunistas, tradicionais aliados do PT, também estão sendo abandonados em outras capitais onde lideram as pesquisas, como o senador Inácio Arruda, em Fortaleza; e a deputada Manuela D’Ávila, em Porto Alegre.
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Voltei. Lembrando que em São Paulo Netinho tem 8%, e Haddad, 3%.

Não eleger petista é sempre preconceito

Leio no Estadão:
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Durante seu discurso, Lula afirmou que Marta foi a melhor prefeita que a cidade já teve e que não se reelegeu por ser vítima do preconceito das elites. "É um preconceito secular", concluiu

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Onde estava esse preconceito quando ela se elegeu?

21 de maio de 2012

Esse sabe fazer política, desde que tenha alguém por trás

Para os meios políticos, o governador Renato Casagrande entrou no debate eleitoral de Vitória no pior momento possível e da maneira errada. Enquanto os nomes colocados tentam resistir à pressão para manter suas candidaturas, o governador quer salvar seu antecessor declarando apoio à candidatura de Paulo Hartung. O posicionamento de Renato Casagrande não convence pelas justificativas que aponta. Dizer que isso pacificaria a base é complicado. Afinal, Hartung quer unir PT, PSDB e PPS em uma única candidatura e esses dois últimos, apesar de não terem postura de oposição ao governo, não fazem parte da base de Casagrande. Outro erro é dizer que Hartung teria condições de vencer no primeiro turno, mas não é isso que as pesquisas apontam. Mesmo que apenas a candidatura do PT seja mantida, a expectativa em Vitória é por dois turnos. Em vez de pacificar a base, Casagrande desconsiderou aí as pré-candidaturas do PR, com José Esmeraldo; do PDT, com Carlos Manato; e a do próprio PSB, com o vereador Serjão Magalhães. Além disso, achar que na prefeitura Hartung estaria fora da corrida eleitoral em 2014 é ilusão. Não há qualquer garantia de que, uma vez na prefeitura, Hartung cumpriria os quatro anos de mandato. Daí o cuidado dele na hora de escolher o vice. 


Casagrande pode criar uma situação muito desconfortável para ele mesmo. Afinal, Hartung está enrolado com essa história dos escândalos da Ferrous e da Delta. O governador Casagrande que não tem nada a ver com essa história pode se complicar todo se o envolvimento de Hartung nas denúncias for confirmado. O governador atropelou o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, e pediu o recuo da força-tarefa, que não viria ao Estado só para investigar Hartung, mas sim o conjunto das denúncias. Se a força-tarefa vier e Hartung sair respingado, levará Casagrande com ele. Por conta própria, Casagrande está se complicando. E, pior, sem necessidade, poderia deixar a coisa correr solta, esperar as definições para, só então, se posicionar. O governador pode ter dado um tiro no pé e vai sofrer as consequências de um erro estratégico.  


Seculodiário
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Se não vai afetar ninguém, por que criaram a CPI?

Talvez justamente por isso...Bom, na minha opinião, um dos fatores é responder de alguma forma à sociedade. Apesar de, na maioria das vezes, não se importarem com a opinião pública, quando o caso é grave e tem muito destaque na imprensa, os parlamentares tremem.

Segundo porque, de acordo com o noticiário, o julgamento do mensalão ocorrerá este ano. Como é ano eleitoral isso poderia prejudicar membros do PT, PR, PTB e PP, principais partidos envolvidos no esquema. Fazer uma CPI sobre outro tema é, assim, uma forma de desviar a atenção.

Mas tudo isso é besteira. Não acho que o mensalão será mesmo julgado este ano, e, mesmo se fosse, não haveria impacto sobre os candidatos. Será que alguém acha que o eleitor levará isso em conta, quando vemos claramente que ética não tem uma boa demanda eleitoralmente?

De qualquer forma, ainda que fosse julgado este ano - o que, como disse, não acredito - há grandes chances de absorção dos envolvidos. Crime de rico é muito complicado. Por que só tem pobre na cadeia? Porque, além do classismo, é muito mais fácil provar que o sujeito A cometeu um assalto do que que o sujeito B, rico, desviou recursos, foi beneficiado por um esquema de propina etc.

Para crimes de rico, a inocência até que se prove o contrário vale mais.

Assim, se a oposição acha que vai lucrar com um julgamento rápido do mensalão, está muito enganada. Assim como o governo não lucrará com o escândalo do cachoeira, que tem como principais envolvidos os oposicionistas Demóstenes Torres (ex-DEM) e Marconi Perillo (PSDB).

O que afetará, se não levarmos em conta os temas locais, as eleições, é a economia. Como ela vai bem, é possível que o governismo saia ganhando, assim como ocorreu em 2008. E com um diferencial: a possibilidade total de ganhar em São Paulo, seja com Hadadd ou Chalita.

20 de maio de 2012

Ética é absoluta, corrupção também

                                                                Charge de Gazo

A blogosfera governista vêm espalhando a tese de que quem tem mesmo que prestar contas à CPI são vejistas, tucanos, além do Demóstenes, Cachoeira e seus tentáculos. Claro que a gente sabe por quê. Eles sempre se comportam assim: quando o alvo de denúncia é petista ou governista, falam que é teoria da conspiração ou que "todo mundo faz" etc. Quando temos um membro da oposição ou imprensa sendo acusados, porém, nada de relativizações.

No caso da CPI, estão dizendo que Marco Perillo, do PSDB, não pode ser equiparado a Sérgio Cabral (PMDB) ou Agnelo Queiroz (PT). Pergunto: e daí? A CPI por acaso tem algum tipo de medição, uma régua que indica: "até o ponto x, a pessoa tem que vir, se não, não vem". Não. Peguemos um membro de um partido opositor, o deputado Stepan Nercessian (PPS). Sua relação com Cachoeira, até onde se sabe, é de amizade e de um empréstimo.

Mesmo assim, A CPI tem que ir mais fundo nisso.

Enfim, se a CPI fosse séria, ela iria fundo em todos os casos. Mas, desde a CPI do Mensalão, vimos como funciona a coisa: um acordo entre oposição, que tinha como membro Eduardo Azeredo, e governo acabou abafando tudo. Ou seja: o melhor sempre é todo mundo se salvar.

E tem gente que ainda vem com conto de fadas de
"governo popular perseguido por uma elite golpista";

Impermeável

                                                                         Do Nani

18 de maio de 2012

Risco de abafamento de CPI: 100%

Vamos ser realistas. Existe a bancada governista, que não vai querer entrar fundo nas questões da empreiteira Delta, que trabalha para o governo federal. Além de não quererem nenhuma informação a mais que os governadores governistas Sérgio Cabral (PMDB) e Agnelo Queiroz (PT) possam dar sobre Cachoeira, Delta e a quadrilha toda. Dizem que eles não podem ser equiparados a Marconi Perillo (PSDB), mas, mesmo assim, há uma relação, que, ATÉ ONDE SE SABE, é menor. Simplesmente dizer que um caso é mais grave - e se é, pois é porque descobriram muito, e nos outros, pouco - não muda nada. Vale lembrar: a operação começou em Goiás, por isso os políticos goianos estão mais na mira. Porém, os tentáculos de Cachoeira, descobriu-se depois, vão muito além. Assim, não é de interesse da bancada governista ir longe com isso na CPI.

E do outro lado... Bom, a Veja também tem sua bancada. Tais parlamentares se esquivam falando do Mensalão, como se uma coisa tivesse a ver com a outra, falam em censura - até onde eu sei, convocar Civita numa CPI não vai proibir Veja de publicar nada. Esse pessoal vai blindar tanto Perillo quanto a Veja. Ao contrário do que o Tio Rei fala, não se tratava de relação fonte-repórter. Na melhor das hipóteses, a revista fechou os olhos para uma organização criminosa e preferiu repassar o que essa organização dava de informações de interesse da revista. Falta total de ética. Na pior, Veja é sócia informal da quadrilha. Civita poderia esclarecer, mas, como eu disse, está blindado.

Enfim, como todos os lados têm o que temer, não vai dar em nada.

Texto de Ricardo Kotscho

Alckmin e Kassab em apuros, azar de Serra

De uma hora para outra, os paulistanos descobriram que existem sérios problemas no funcionamento do metrô, responsabilidade do governo do Estado, assim como ficamos sabendo que há um esquema de corrupção montado há anos para a liberação de imóveis na Prefeitura. O governador Geraldo Alckmin, do PSDB, e o prefeito Gilberto Kassab, do PSD, agora unidos no apoio ao tucano José Serra na sucessão municipal (os dois se enfrentaram na eleição de 2008), raramente aparecem no noticiário, a não ser em inaugurações de obras e articulações políticas. É como se São Paulo fosse uma ilha de paz e beleza, onde tudo funciona e o povo vive feliz, cercada por um país chamado Brasil, cheio de problemas e sempre em crise.
Depois de várias paralisações e transtornos nas últimas semanas, o grave acidente do Metrô na quarta-feira, que deixou mais de 100 feridos, revelou o descaso da administração estadual, que reduziu, ao invés de aumentar, os investimentos no sistema. Reportagem da Folha desta quinta-feira denuncia que, de 2010 para 2011, o governo reduziu em 20,4% os recursos ( de R$ 236 milhões para R$ 188 milhões) destinados à manutenção da Linha 3 - Vermelha, onde ocoreu o acidente, que transporta 41% dos passageiros de toda a rede. Como já me alertava um dos técnicos responsáveis pelo controle de tráfego do Metrô, em encontro com amigos no final do ano passado, o Metrô paulistano estava à beira de entrar em colapso, não só pela queda dos investimentos em manutenção, mas também pela implantação atabalhoada de um novo sistema automático.
A falha técnica, apontada como causa do acidente em que dois trens se chocaram na zona leste, é apenas consequência da relapsa administração do Metrô paulistano, também envolvida em denúncias de desmandos e irregularidades nas licitações. Pequenos acidentes são comuns e nós nem ficamos sabendo, disse-me o técnico. Como se não fosse com ele, bem ao estilo tucano, o governador Geraldo Alckmin desandou a falar de investimentos numa nova linha do Metrô na zona norte, a Linha 6 - Laranja, no mesmo momento em que eram recolhidos os feridos entre as estações Penha e Carrão. Alckmin mandou ao local seu secretário dos Transportes, Jurandir Fernandes, e continuou calmamente dando entrevistas sobre os seus planos.
Na mesma semana em que os paulistanos descobriram a gravidade da situação do Metrô, multiplicam-se as denúncias sobre o esquema montado na Secretaria Municipal de Habitação por Hussain Aref Saab, homem de confiança de Kassab e Serra, ex-diretor responsável pela liberação de construções de imóveis em São Paulo, que construiu um patrimônio de mais de R$ 50 milhões nos últimos sete anos em que comandou o setor.
Um grupo do Ministério Público de São Paulo especializado em lavagem de dinheiro agora abriu inquérito para investigar a origem dos bens de Aref, que comprou 106 imóveis de 2008 para cá, com um salário bruto de R$ 9 mil. Mais do que a evidente suspeita de corrupção em larga escala e por tempo prolongado, são incalculáveis os prejuízos causados à cidade pela liberação de obras em áreas de preservação, fora dos limites impostos pela legislação, que causam novos problemas ao já caótico trânsito paulistano.
Os repórteres Rogério Pagnan e Evandro Spinelli, da Folha, que revelaram o escândalo mantido, aparentemente, em segredo de Justiça pela Corrgedoria Geral do Município, acionada por Kassab depois de receber uma denúncia anônima contra Aref, em fevereiro, a cada dia trazem novas revelações sobre o esquema. A mais estarrecedora até agora é que Aref recebeu de graça seis apartamentos num prédio em frente ao Parque do Ibirapuera como pagamento por serviços de consultoria prestados por sua empresa, a SB4.O problema é que o contrato é de 2006 e a empresa só foi criada dois anos depois.
Na verdade, houve uma troca. O ex-diretor ganhou os apartamentos como pagamento para liberar o funcionamento do centro de convenções WTC, processo que estava parado há mais de um ano, empresa dos mesmos donos da construtora que lhe deu os apartamentos. Com Kassab e Alckmin em apuros, a conta vai sobrar para a campanha de José Serra, que reage olimpicamente diante destes fatos, como se não tivesse sido prefeito e governador de São Paulo até recentemente.
Em campanhas eleitorais, aparece sempre o imponderável. A quatro meses e meio da abertura das urnas eletrônicas, os apuros de Alckmin e Kassab podem influenciar negativamente na campanha do favorito José Serra, assim como, no Rio, as fotos da farra de Sergio Cabral com Fernando Cavendish em Paris certamente não ajudam seu candidato, o também favorito Eduardo Paes.
Que novas surpresas nos aguardam?